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O que prevê a nova regra fiscal proposta por Haddad

Publicado 30 de março de 2023Última atualização 30 de março de 2023

Governo apresenta detalhes do arcabouço fiscal para substituir atual teto de gastos. Conjunto de novas regras prevê aumentar gastos públicos de acordo com o crescimento da economia, com meta de superávit em 2025.

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Fernando Haddad
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: proposta é discutida desde campanha presidencialFoto: Adriano Machado/REUTERS

Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, apresentaram nesta quinta-feira (30/03) os detalhes da proposta do governo para a nova regra fiscal.

Também chamada de "arcabouço fiscal" ou "âncora fiscal", ela visa substituir o atual teto de gastos – regra criada no governo de Michel Temer em 2016, limitando o crescimento de grande parte das despesas da União à taxa de inflação –, como está previsto na chamada PEC da Transição.

O novo regime fiscal combinará uma meta de superávit primário (resultado positivo das contas do governo sem os juros da dívida pública) e um conjunto de regras visando controlar as despesas públicas do país.

"Tem meta de superávit e mecanismo de controle", adiantou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, na quarta-feira.

A medida vem sendo discutida por economistas ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já desde a campanha presidencial. Há dias, Haddad vem alinhando o texto com líderes parlamentares e com o presidente da República.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda frisou que a proposta não vai resolver milagrosamente todos os problemas das contas públicas, mas é um começo. "Isso aqui [nova regra fiscal] não é uma bala de prata que resolve tudo. É o começo de uma longa jornada. Mas esse é o plano de voo", afirmou Haddad.

O que prevê a proposta

A proposta do governo inclui zerar o déficit da União em 2024, gerar superávit primário de 0,5% do PIB em 2025, e saldo positivo de 1% em 2026. Para 2023, a meta anunciada pela equipe econômica é alcançar um déficit primário de 1% para o governo central.

Além disso, o pacote vai limitar o crescimento das despesas do governo a 70% do crescimento da receita primária (arrecadação do governo com impostos e transferências). Para isso, será considerado o dado entre julho de um ano e junho do ano seguinte, para que se possa incluir as metas na proposta de orçamento.

A proposta também estabelece uma espécie de intervalo para a meta do resultado primário das contas públicas. O resultado primário é o saldo entre o que se arrecada e o que se gasta, sem contar o pagamento de juros da dívida.

Atualmente, existe um valor exato para a meta do resultado primário, definido todo ano. O governo propõe agora um intervalo de valores possíveis. Por exemplo, se a meta do resultado primário é de 1% de superávit em um determinado ano, a meta será considerada cumprida se ficar entre 0,75% e 1,25%.

A proposta também determina o que acontece se a meta é descumprida. Se o resultado ficar abaixo do limite mínimo, haverá uma limitação no ano seguinte: as despesas do governo podem crescer apenas 50% do crescimento da receita primária, e não os 70% previstos originalmente. Mas se o resultado ficar acima do limite máximo da meta, então o excedente que o governo arrecadou e não gastou poderá ser usado para investir.

A ideia é que os gastos tenham aumento real, acima da inflação, mas que essa alta seja mais lenta que o crescimento das receitas, visando conseguir redução gradual do déficit público e estabilizar a dívida pública.

Nesta quinta, Simone Tebet reiterou que a nova regra não visa reduzir as despesas, mas melhorar a qualidade dos gastos. "Estamos tranquilos e convictos de que conseguiremos atingir a meta, diminuir as despesas dentro do possível, mas esse não é o foco principal, o foco principal é gastar com qualidade", afirmou.

Anteriormente, o ministro Padilha também explicou que o novo arcabouço fiscal terá instrumentos anticíclicos – que permitem ao governo economizar mais em momentos de crescimento da economia e gastar mais em recessões.

Texto vai ao Congresso

A previsão é que até a sexta-feira de Páscoa a proposta seja enviada ao Congresso, como projeto de lei complementar, para que seja analisada pelos parlamentares.

Antes da coletiva de imprensa nesta quinta-feira, Haddad apresentou a proposta ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e aos líderes dos partidos na Casa.

Na quarta, o ministro já havia apresentado o texto ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e aos líderes partidários.

O governo fechou a proposta definitiva do novo arcabouço fiscal em reunião no Palácio da Alvorada, que durou a maior parte da tarde de quarta-feira. Segundo o ministro Padilha, o presidente Lula, que cumpre agenda no Alvorada para recuperar-se de uma pneumonia, deu aval para que Haddad apresentasse o texto aos deputados e senadores.

md (EBC, ots)