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Europa tem recorde de áreas devastadas por incêndios

14 de agosto de 2022

Quase 660 mil hectares de terras europeias foram destruídos por incêndios até 13 de agosto, segundo dados preliminares. É o pior número para o período desde 2006, quando os dados de satélite começaram a ser coletados

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Bombeiros combatem chamas na França
Bombeiros combatem chamas na FrançaFoto: SDIS 33/AP/dpa/picture alliance

A Europa está a caminho de um recorde de destruição causada por incêndios florestais em 2022, segundo dados provisórios da União Europeia.

O alerta ocorre enquanto o continente passa por uma severa onda de calor e seca neste verão, que cientistas dizem ser resultado das mudanças climáticas causadas pela atividade humana.

Quase 660.000 hectares de terras foram devastados por incêndios entre 1º de janeiro e 13 de agosto, mostraram números do Sistema Europeu de Informações sobre Incêndios Florestais (EFFIS), um recorde para este período do ano desde que os dados de satélite começaram a ser coletados em 2006.

O número 56% superior ao recorde anterior, estabelecido no mesmo período de 2017, quando 420.913 hectares foram queimados.

A área mais atingida pelos incêndios foi a Península Ibérica. Na Espanha, que sofreu duas grandes ondas de calor este verão entre junho e agosto, 246.278 hectares foram queimados, principalmente nas regiões da Galícia, província castelhana de Zamora (noroeste) e Extremadura.

Em Portugal, os bombeiros demoraram uma semana para controlar um incêndio no parque natural da Serra da Estrela,  onde 17 mil hectares foram queimados.

Já a França viu anos ainda piores na década de 1970, antes que os dados padronizados fossem estabelecidos em nível europeu. Mas de acordo com esses números, 2022 foi o pior dos últimos 16 anos, em grande parte devido a dois grandes incêndios sucessivos no departamento da Gironde, perto de Bordeaux (sudoeste).

A situação foi igualmente excepcional na Europa Central. Em julho, bombeiros levaram mais de dez dias para controlar o maior incêndio da história recente da Eslovênia.

Sem aviões especializados no combate a incêndios, a Eslovênia teve que pedir ajuda à Croácia, que enviou um avião antes de trazê-lo de volta para apagar seus próprios incêndios.

Em termos de áreas devastadas, atrás da Espanha estão a Romênia (150.528 hectares), Portugal (75.277 hectares) e França (61.289 hectares).

Até agora, estas condições de seca extrema eram observadas principalmente no Mediterrâneo, mas agora também estão sendo registradas na Europa Central.

Na República Tcheca, por exemplo, um incêndio devastou mais de mil hectares. Além dos incêndios na Croácia, houve três na Eslovênia e cinco na Áustria.

"A situação de seca e temperaturas extremamente altas afetou toda a Europa este ano e a situação geral na região é preocupante, enquanto ainda estamos no meio da temporada de incêndios”, disse o coordenador do EFFIS, Jesus San-Miguel.

jps (AFP, ots)