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Biden anuncia US$ 500 milhões para Fundo Amazônia

20 de abril de 2023

Valor é dez vezes maior que o prometido anteriormente, mas liberação ainda depende do aval do Congresso americano. Presidente dos EUA diz que quer ajudar o Brasil a acabar com desmatamento até 2030.

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Joe Biden
Biden fez anúncio em conferência online com representantes de 26 paísesFoto: Patrick Semansky/AP Photo/picture alliance

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quinta-feira (20/04) a intenção de liberar 500 milhões de dólares (R$ 2,5 bilhões) para o Fundo Amazônia, a serem usados nos próximos cinco anos. Segundo a Casa Branca, ele pedirá a aprovação do recurso ao Congresso americano.

O valor é dez vezes maior do que o inicialmente previsto. Originalmente, o governo americano prometeu em fevereiro o repasse de 50 milhões de dólares, valor bem inferior aos cerca de R$ 3 bilhões já aportados pela Noruega e também aos 200 milhões de euros oferecidos recentemente pela Alemanha, no âmbito da visita do chanceler federal Olaf Scholz ao Brasil.

O anúncio faz parte do Fórum das Grandes Economias sobre Energia e Clima, uma cúpula online que tem participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O fórum é uma iniciativa do ex-presidente Barack Obama retomada por Biden e composto pelas 26 maiores economias do mundo, incluindo China e Rússia.

Os países que participam do fórum representam cerca de 80% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, segundo a Casa Branca. 

No encontro, Biden também convocou outras lideranças a apoiarem o Fundo Amazônia, programa que busca doações para prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, assim como conservação e uso sustentável da Floresta Amazônica.

"Eu vou pedir verbas para contribuir com 500 milhões de dólares para o Fundo Amazônia e todas as outras atividades relacionadas ao clima nos próximos cinco anos para ajudar o Brasil a renovar seus esforços para acabar com o desmatamento até 2030", declarou Biden.

Fundo foi travado no governo Bolsonaro

Estabelecido em 2008, durante o segundo governo Lula, com doações principalmente de Noruega e Alemanha, o Fundo Amazônia financiou 102 projetos de combate ao desmatamento e geração de renda no Brasil até 2018.

Ao longo daquela década, os doadores destinaram R$ 3,4 bilhões ao país, com base em uma única contrapartida do governo brasileiro: diminuir a destruição da maior floresta tropical do mundo e, dessa maneira, cortar as emissões de gases de efeito estufa.

Em 2019, a Alemanha e a Noruega suspenderam os repasses para novos projetos após o governo brasileiro, na gestão Jair Bolsonaro, pedir mudanças nas regras na aplicação dos recursos e extinguir colegiados de gestão do dinheiro. O mecanismo foi reativado recentemente.

Desde que Lula foi proclamado vencedor das últimas eleições, a Noruega anunciou o desbloqueio de bilhão de dólares para o fundo, seguido por 200 milhões de euros da Alemanha. Reino Unido, França e Espanha sinalizaram a intenção de participar. Outro esforço é obter apoio da filantropia, com expectativa de doações na casa dos 100 milhões de dólares.

"Não há sustentabilidade num mundo em guerra"

Durante o Fórum das Grandes Economias sobre Energia e Clima, Lula afirmou que "não há sustentabilidade num mundo em guerra".

"Além da paz, é urgente buscarmos uma relação de confiança entre os países. No entanto, desde a Convenção do Clima, em 1992, no Rio de Janeiro, a confiança entre os atores envolvidos tem declinado", ressaltou o presidente brasileiro no evento online.

A fala ocorre após a repercussão negativa das declarações do brasileiro sobre o conflito na Ucrânia. No último sábado, ao final de sua visita à China, Lula afirmou que os Estados Unidos deveriam parar de "incentivar a guerra" na Ucrânia e que a UE, por sua vez, deveria "começar a falar de paz". Neste domingo, em visita aos Emirados Árabes, Lula voltou a acusar os EUA e a Europa de prolongarem a guerra em solo ucraniano.

"A paz está muito difícil. O presidente [da Rússia Vladimir] Putin não toma iniciativa de paz, o [presidente da Ucrânia, Volodimir] Zelenski não toma iniciativa de paz. A Europa e os Estados Unidos terminam dando a contribuição para a continuidade desta guerra", afirmou o petista.

O presidente também voltou a acusar a Ucrânia de ter participação no início do conflito. "A construção da guerra foi mais fácil do que será a saída da guerra, porque a decisão da guerra foi tomada por dois países", disse Lula, durante coletiva de imprensa.

No fim de semana, em visita aos Emirados Árabes Unidos, Lula havia acusado os EUA e a Europa de prolongarem o conflito no Leste Europeu. A declaração gerou reação internacional, com a Comissão Europeia e a Casa Branca rebatendo as críticas feitas pelo líder brasileiro.

Já nesta terça-feira, ao receber o presidente da Romênia, Klaus Werner Iohannis, em Brasília, Lula amenizou o tom e disse que seu governo condena a violação do território, ao mesmo tempo que defende "uma solução política negociada para o conflito".

md (ots, Reuters)